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sábado, 13 de novembro de 2010

Caboclinhos

Os Caboclinhos são os blocos de índios que se apresentavam no carnaval em Canguaretama. Estes não se vestiam com penas, que eram usadas apenas no cocar. O ritmo de seu bailado era sincopado e repetitivo. Usavam tambores e pífaros como instrumentos musicais para o ritmo e suas danças. Sua indumentária era uma sumária saia de agave e um cocar de penas, as mulheres usavam uma peça para cobrir os seios. Desfilavam em duas filas com o chefe ao centro e um caçador sem lugar fixo. A frente também poderia ir uma porta bandeira. Em Canguaretama chamavam simplesmente de Bloco de Índios e usava o arco e flecha como instrumento de guerra nas apresentações dramáticas que faziam. Um grande búzio era soprado como instrumento musical, caracterizando o grupo. Não se sabe com exatidão desde quando existiam na cidade. O grupo era organizado por Zé Wilson e deixou de existir nos anos 80, com o declínio do carnaval de rua.

Coco-de-Roda

Na zona praieira do litoral leste potiguar, na região ao sul de Natal, é onde ainda se dança o Coco-de-roda. O Coco de Roda é dança nordestina muito rica em poesia, ritmo e expressão corporal. Muitos afirmam ser a mesma de Origem afro- ameríndia. Como em toda as manifestações folclóricas, os elementos étnicos deram a sua contribuição e, nesse entrelaçamento racial o negro deixou no coco a sua marca mais forte. O Coco de Roda é vibrante e impetuoso como todas as danças de negro. Quanto ao ritmo sincopado seguido de passos laterais ora para um lado ora para o outro, são típicos das danças indígenas. O tirador de coco é a pessoa que canta e improvisa os versos no meio do círculo, sendo o refrão cantado pelos outros participantes. Por ser uma dança coletiva e democrática não tem hora para começar nem para terminar, poderá ser dançada com qualquer roupa, calçado ou com os pés descalços. Entretanto, como possui muita expressão corporal, será mais cômodo dançá-lo com roupas leves e pés descalços. As mulheres dançam com saia rodada de tecido estampado em algodão, blusa com babados no decote. Os homens usam calças de tecido em algodão liso, arregaçadas até o meio da canela e camisa de tecido também em algodão, que pode ser de qualquer cor, lisa ou estampada, geralmente de mangas curtas. A dança é acompanhada pelas palmas dos dançarinos e por instrumentos de percussão, especialmente o zabumba e o ganzá. Coco de Roda de Canguaretama é formado de aproximada mente vinte participantes, que dançam de mãos dadas, girando lentamente ao som dos “cocos” improvisados pelo solista (o “coqueiro” ou tirador do coco). Os dançarinos podem exibir suas virtuosidades coreográficas indo ao meio do círculo para dançar. O acompanhamento musical é feito com instrumentos de percussão como o zabumba e o ganzá. Os “cocos” de estrofes tradicionais ou improvisadas, caracte rizam-se por um estribilho curto, repetido incan savelmente pelo grupo enquanto dançam. Coco de Roda de Canguaretama é o melhor do Rio Grande do Norte, formado de aproximada mente vinte participantes. Existiu também o Coco de Roda na Barra do Cunhaú, talvez mais antigo e matriz do Coco de Canguaretama.

Pastoril

O Pastoril de Canguaretama conserva alguma coisa do espírito religioso que o caracterizou, através dos anos. Dois "cordões" de pastoras, azul e encarnado, cantam jornadas de saudação ao público, louvação ao Messias e exaltação ao próprio Pastoril. À frente dos cordões estão a Mestra (cordão encarnado) e a Contramestra (cordão azul), seguidas, cada uma, de um número variável de pastoras. Entre os dois cordões dançam a Diana, mediadora das rivalidades entre os mesmos, vestida de azul e encarnado, o "velho", responsável pela transformação do pastoril tradicional religioso num folguedo profano, o "pastorzinho" egresso das Lapinhas e a "Borboleta", tão importante que já se constituiu outrora, num reisado autônomo, informam os pesquisadores do folclore.

A Lapinha, ao contrário do Pastoril, ainda nos dias atuais, é um folguedo caracteristicamente religioso, não se profanizou e guardar a mesma formação de alas ou “cordões” do Pastoril. O repertório de jornadas ainda é o mesmo do prin cipio, todas inspiradas em motivos religiosos, em particular no nascimento de Jesus Cristo. Não há na Lapinha a figura do irreverente “velho”, mas de um modesto “pastorzinho” e as pastoras, que se apresentam dançando com acompanhamento de maracás, vestem-se discretamente sem os exa geros das meninas do Pastoril. Integram a orquestrinha: violão, cavaquinho e pandeiro, podendo variar.

A tradição em Canguaretama era o Pastoril e não a Lapinha, mesmo sabendo da existência da Lapinha antes do Pastoril. Em Canguaretama, eram comuns nas festas de fim de ano. Por volta de 1975 já era uma brincadeira desprestigiada. Uma das últimas apresentações se deu na festa da padroeira de 1999. Era um pastoril quase que totalmente composto por pessoas da terceira idade.

O Fandango

É um auto popular de origem ibérica que inspira-se nas grandes aventuras marítimas dos portugueses, disseminado em todo o Brasil. Sua denominação varia de uma região para outra, pois no Nordeste e Norte é conhecido como Fandango, no Sul e Leste é denominado Marujada. Fandango no Sul também é dança de pares, sem representação dramática. Em Portugal não há apresentação semelhante, ainda que uma boa parte das cenas seja de origem portuguesa, das narrativas marítimas. No Brasil surgiu no século XVIII, e no Rio Grande do Norte no início do século XIX.

O grupo é formado por uma tripulação de aproximadamente quarenta marujos, entre oficiais e marinheiros. O enredo principal desenvolve-se em torno da velha “Nau Catarineta”, que é atacada por uma tempestade e vaga durante sete anos e um dia. Perdido e sem comida, a tripulação passa a comer sola de sapatos e, através de um sorteio, o comandante do navio é escolhido para ser trans formado em alimento para os famintos. Durante o momento da aflição acontece um milagre e a tripulação avista terra.

Segundo informações de José Colaço a Antônio Lima, o Fandango de Canguaretama apareceu por volta de 1885, trazido do Pará, por “Seu Tota”, morador da “Gameleira”. Por volta de 1910, foram introduzidas outras “partes” (músicas) trazidas da Paraíba. Anteriormente existia um Fandango em Vila Flor, mas esse acabou, surgindo o de Canguaretama.

O grupo de Canguaretama é formado por uma tripulação de aproximadamente quarenta marujos, entre oficiais e marinheiros. Os personagens se distribuem em duas filas e são os seguintes: Capitão de Fragata, Mestre, Gajeiro, Ração e os Marujos na fila da direita; Piloto, Contramestre, Calafate e Vassoura e os marujos na fila da esquerda. Apenas o Capitão de Mar e Guerra fica no centro e por traz de todos.

A apresentação se faz com uma barca, a Nau Catarineta. O enredo principal desenvolve-se em torno da “Nau”, que é atacada por uma tempestade e vaga durante sete anos e um dia. Perdido e sem comida, a tripulação passa a comer sola de sapatos e, através de um sorteio, o coman dante do navio é escolhido para ser trans formado em alimento para os famintos. Durante o momento da aflição acontece um milagre e a tripulação avista terra.

O Fandango era representado no perí odo do ciclo natalino com seus personagens ves­tidos de marinheiros, cantan do e dançando ao som dos instrumentos de cordas, não fazendo uso de instrumentos de percussão nem de sopro.

No grupo de Canguaretama, a princípio eram usados apenas o violão e o cavaquinho, sendo introduzido o banjo em 1953, tocado por Paichicu. A primeira apresentação se dava sempre na festa de Nossa Senhora da Conceição (de 29 de novembro à 8 de dezembro) e se estendia até a festa de Santos Reis. Manoel Francisco de Andrade foi um dos organizadores do Fandango até a primeira metade do século XX, passando para seu filho, Antônio Andrade (Lima). Nos últimos anos do século XX a organização ficou a cargo de Zé de Ná.

Chegança

O auto da Chegança é muito semelhante com o Fandango pela indumentária dos participantes (oficiais e marujos portugueses), deste se destingue, pelo seu núcleo dramático, um combate naval travado entre cristãos e mouros, inspirado nas lutas pela Restauração da Península Ibérica, no qual intervêm figurantes caracterizados de mouros. O número de participantes é maior que no Fandango e as jornadas, num total de vinte e quatro, demandam um período longo, de seis, sete horas, para serem cantadas. O elemento cômico do espetáculo está representado nas pessoas do Ração (cozinheiro) e do Vassoura (faxineiro). O acompanhamento musical restringe-se a instrumentos de percussão, tambor e caixa, enquanto no Fandango, registra-se a presença de instrumentos de corda, violão, rebeca, banjo. A Chegança "natalense" de Geraldo Guilherme em Natal é uma das mais importantes. A chegança a é representada como cenas marítimas, culminando pela abordagem dos mouros, que são vencidos e batizados, Os episódios mais curiosos são a descoberta do contrabando dos guardas-marinha, as lutas e brigas entre oficinas, a tempestade, as canções líricas etc. No Estado da Paraíba, a chegança é conhecida como: barca. A chegança no Rio Grande do Norte teve sua primeira apresentação em 18 de dezembro de 1926, no teatro Alberto Maranhão, mas não tem a tradição do fandango e do bumba-meu-boi. Na Barra do Cunhaú a Chegança é brincada com uma Barca de barro fixa no chão. Os marujos saiam com um pequeno barco na mão, cantado pelas ruas, avisando do início da festa. Segundo informações de Severino Mendes, conhecido como “Seu Batata”, que foi o Ração da Chegança, foi seu irmão quem trouxe a dança de Pernambuco. Luís Mendes foi o primeiro mestre da Chegança, por volta de 1915. Desta forma teria sido a primeira no Rio Grande do Norte.

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